Mais uma vez os ícaros empreendem uma nova campanha: Byafra no quadro Homenagem ao Artista, do Programa Raul Gil. Num movimento do Fã-Clube Oficial e do Portal de Voz do Byafra, a campanha quer promover o convite do cantor de "Sonho de Ícaro" pelo apresentador da TV BAND para participação em um programa que tem sido um grande sucesso nas tardes de domingo. Como sempre preocupado em manter a qualidade de seu programa, o apresentador tem homenageado grandes nomes da MPB. Neste grupo seletivo, então, não poderá faltar Byafra, um dos maiores nomes da música romântica do Brasil, que teve seu auge nos anos 80, mas que continua a fazer sucesso até hoje, tendo, inclusive uma mídia exclusiva em seu Portal: a Rádio Byafra. Portanto, vamos aderir à campanha para vermos o artista ser homenageado como ele merece. Para participar, procure oPortal de Voz e o Fã-Clube Oficial no Orkut.
Marco Antonio Valença Franco nasceu em 1956 e se fez membro da realeza das artes: poeta, compositor-letrista, fotógrafo e produtor artístico para o bem dos quem sonham. Marco Valença, profissional dedicado, tem forte atuação nas áreas de jornalismo, publicidade, televisão, discos, espetáculos, análise, criação e execução de projetos culturais para entidades como Fundação de Artes de Niterói, Rede Globo de Televisão, Globotec, Globovídeo, Propeg, Gege Produções Artísticas, Biblioteca Nacional, Instituto Itaú Cultural, Jornal O Estado de São Paulo, Música Em Boa Hora, Programa “Fantástico”, Feira do Interior, Teatro do Texto, Terça da Boa Música, Viva Essa Festa, Cantos e Encantos no Abaeté, CD “Marinhas”, Caminhada Axé, Desfile Brasil 500 Anos, Rumos Itaú Cultural Música, Prêmio Multucultural Estadão, Prêmio Estímulo Teatro e Dança, Programa Fazcultura, Fundação Cultural do Estado da Bahia, entre tantos outros que Marco esteve ou está ainda envolvido.
Conheci Arnaldo assim,tendo mil idéias a cada minuto, até gravei uma canção sua que ele mostrou com tanto entusiasmo que falei para o Lincoln Olivetti: "Lincoln, esta tem que entrar de qualquer jeito,capricha no arranjo". E assim foi: ESCUTEA FAIXA A vida foi caminhando, nunca mais tive contato com ele, soube que foi para Mauá em busca de uma vida alternativa e por lá ficou. Quando voltou para Niterói, Arnaldo já era outro,calado, vendendo seu livro de poesias em frente a reitoria. Sempre fiquei de comprar um... mas ele sempre me pegava ou sem dinheiro ou com cartão de débito: poeta em geral não tem convênio com a mastercard, e ficava sempre para um outro dia.
Essa é a imagem que ficou na minha cabeça: Arnaldo, calado, humilde, vendendo seus livros. Isso me transportava a muitas reflexões: será que esse é o lugar do poeta? Será que para viver do que plantamos com as palavras temos que nos calar diante de um mundo cada vez mais surdo e sem poesia? Isso me incomoda, por isso às vezes berro e às vezes saio da casca e falo o que tenho certeza que depois vou me arrepender. A resignação, isso me incomoda. O Fred Vasconcelos teve um lampejo de generosidade e talento e fez um cd com o poeta Arnaldo cantando suas poesias, merece ser conhecido. Sempre ficará na minha cabeça o Arnaldo, calado, vendendo sua poesia assim como um feirante que trabalha a sua horta para vender as verduras na feira. Só que ao invés de verduras, Arnaldo tinha uma plantação de palavras e foi até as últimas consequências para protege-la das pragas do silêncio.
Uma recente discussão - levemente acolorada nos bastidores do Fã-Clube - me fez pensar sobre o que efetivamente significa ser um ícaro, digo, sonhador, idealista. Não somos uma legião de soldados armados de panfletos, faixas, comiciando feito loucos Brasil afora e adentro. Não criamos piquetes, não tomamos terras nem tetos, não ocupamos calçadas e avenidas, nem causamos transtornos no trânsito das grandes cidades. Somos inoperantes, então? Não, absolutamente não. É certo que grandes sonhos foram e são construídos com lutas, guerras inclusive. Mas não é o nosso caso. Nossa causa é nobre, entretanto, porque anseia pelo direito de ouvir o que se quer, de ver o que se deseja e de dividir e divulgar este estilo de vida para outras pessoas. E tudo isso sem viver do passado porque, descontado algum saudosismo (que, na medida, é importante na vida de todos), baseamos nossa filosofia no presente mesmo, dado que buscamos estender o modo de pensar e o comportamento da atualidade e, só levando em conta isso, procuramos adequar nosso peculiar modo de pensar e agir ao mundo. E o que vem mesmo a ser isso? Resistir aos fortes apelos do poder econômico e da grande mídia que nos tenta vender produtos descartáveis, deixando claro o total descompromentimento com a qualidade e a emoção, pontos fundamentais para nós. Somos ícaros não apenas quando decidimos ouvir o som de Byafra, mas (claro) quando reconhecemos o trabalho de nomes como Gandhi, Dona Zilda Arns, por exemplo, ou quando admiramos a multidão que trabalha sem holofotes nas periférias das grandes cidades para tornar digna a vida de seus semelhantes e vizinhos, promovendo educação e cidadania, a despeito de toda falta de apoio do poder público.