em 03 de Janeiro de 2010
Publicado em
Memória da Arte
Conheci Arnaldo assim,tendo mil idéias a cada minuto, até gravei uma canção sua que ele mostrou com tanto entusiasmo que falei para o Lincoln Olivetti: "Lincoln, esta tem que entrar de qualquer jeito,capricha no arranjo". E assim foi: ESCUTE A FAIXA
A vida foi caminhando, nunca mais tive contato com ele, soube que foi para Mauá em busca de uma vida alternativa e por lá ficou. Quando voltou para Niterói, Arnaldo já era outro,calado, vendendo seu livro de poesias em frente a reitoria. Sempre fiquei de comprar um... mas ele sempre me pegava ou sem dinheiro ou com cartão de débito: poeta em geral não tem convênio com a mastercard, e ficava sempre para um outro dia.
A vida foi caminhando, nunca mais tive contato com ele, soube que foi para Mauá em busca de uma vida alternativa e por lá ficou. Quando voltou para Niterói, Arnaldo já era outro,calado, vendendo seu livro de poesias em frente a reitoria. Sempre fiquei de comprar um... mas ele sempre me pegava ou sem dinheiro ou com cartão de débito: poeta em geral não tem convênio com a mastercard, e ficava sempre para um outro dia.

Essa é a imagem que ficou na minha cabeça: Arnaldo, calado, humilde, vendendo seus livros. Isso me transportava a muitas reflexões: será que esse é o lugar do poeta? Será que para viver do que plantamos com as palavras temos que nos calar diante de um mundo cada vez mais surdo e sem poesia? Isso me incomoda, por isso às vezes berro e às vezes saio da casca e falo o que tenho certeza que depois vou me arrepender. A resignação, isso me incomoda. O Fred Vasconcelos teve um lampejo de generosidade e talento e fez um cd com o poeta Arnaldo cantando suas poesias, merece ser conhecido. Sempre ficará na minha cabeça o Arnaldo, calado, vendendo sua poesia assim como um feirante que trabalha a sua horta para vender as verduras na feira. Só que ao invés de verduras, Arnaldo tinha uma plantação de palavras e foi até as últimas consequências para protege-la das pragas do silêncio.
Ave Arnaldo
Salve Lazulli
Ave Arnaldo
Salve Lazulli
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Comentarios (5)

escrito por Byafra, janeiro 04, 2010
Anita,nós é que temos que agradecer ao Arnaldo por ele ter existido em nossas vidas e venho aqui me penitenciar.Se soubesse que seria tão breve o nosso reencontro teria aproveitado mais,mas a vida é assim,feliz do Fred que soube perceber o tempo certo e ter deixado documentada a obra do Arnaldo.A vontade que tenho é de me somar ao grito dele e dizer ao mundo: "Sai,sai,sai,sai desse vazio"
escrito por Carlos Cherem, setembro 16, 2010
Comprei o CD do arnaldo em 2005 ou 2006 e fiquei impressionado com a qualidade das letras e músicas. Gostei tanto que passei para um MP3 e fico ouvindo no trajeto de casa para o trabalho e vice-versa. Hoje fui procurar na Internet alguma notícia sobre ele e fiquei sabendo que faleceu ano passado. Fiquei muito triste mas ao mesmo tempo fico imaginando que ele agora deve estar num lugar belo, do jeito como sempre imaginou.
escrito por Juninho Maia, março 16, 2011
Sabe, guardo algumas alegrias impagáveis, pois na verdade o que o homem necessita para ser totalmente feliz, são coisas que ele não pode tocar, são coisas simples, o sentimento, a música, o carinho, o afeto, uma boa conversa...assim, tive a felicidade que receber em minha casa, Arnaldo. Na ocasião ele estava precisando fazer a edição do livro "Para lembrar de Mauá" e veio me procurar. Prontamente eu disse: Vamos começar agora. Então foi lindo, na ocasião fizemos algumas poesias juntos também..foi um prazer infinito, poder ajudar e aprender muitas coisas com ele. Abraço!
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Aqui é Anita, sou filha do Arnaldo (e por acaso sobrinha do Fred).
O Marco Valença me mandou o link do seu texto.
Escrevo para agradecer o post.
A música ficou muito bacana.
Um abraço,
Anita