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Editorial
Muitos fãs escreveram para o nosso Portal comentando o último editorial que falava de saudade e saudosismo. Opiniões estavam de acordo com o conteúdo do artigo, mas algo nos chamou atenção: os e-mails falavam de falta e não de saudosismo. Estamos plenamente de acordo com os ícaros: FALTA algo expressivo na música brasileira, especificamente no que toca a espaço para a música, haja vista que de talentos estamos bem servidos.
Nos áureos anos 80 e décadas anteriores, tínhamos um mestre absoluto da integração musical: Chacrinha. Sensível e consciente do poder da arte musical, independente de estilo ou origem, o Velho Guerreiro dedicou sua vida a privilegiar a cena brasileira, farta, rica e diversificada como nenhuma outra no mundo. E por que isso acabou com o ocaso do Chacrinha? Porque os grandes meios não se importam com qualidade, mas com audiência, pontos no Ibope. Sangue, escândalos e infortúnios da vida alheia rendem mais audiência do que arte. E isso mais importa aos ditadores do entretenimento da televisão do Brasil.
Felizmente, nestes últimos anos tivemos gente corajosa que ousou desafiar esta ditadura do mal gosto a que a TV aberta brasileira se submeteu. Sílvio Santos, com seu "Rei Majestade" resgatou artistas e momentos importantes da música popular brasileira e Raul Gil, conhecido guerreiro da arte, vem dando demonstrações de que o sonho de manter viva a música tem adeptos fortes e decididos. Seu programa pela Rede Bandeirantes instala-se como um oásis de criatividade e diversidade na TV brasileira. Popular, mas de qualidade; típico, mas diversificado, o Programa Raul Gil ganha espaço entre os expectadores de todas as faixas etárias e de todos os gostos musicais. Nos felicita saber que nós, ícaros do Brasil, temos representantes na mídia brasileira (hoje, mais voltada para resultados financeiros do que artísticos). Sonhar é insistir em apresentar qualidade à quantidade de gosto duvidoso. Sonhar é investir nos sonhos da maioria, a despeito de todo individualismo e promoção própria que permeiam a imprensa brasileira, a televisiva em especial. Salve Raul Gil, Salve a diversidade, salve a música do Brasil!

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