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07 de Agosto de 2010
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O Portal Byafra tem sido um dos points mais movimentados da internet, território onde tudo, à excessão dos grandes sites de relacionamentos, é muito passageiro. Sem dúvida, a (sempre) presença do cantor e compositor é um ponto forte para esta fidelidade dos internautas, mas também o site oferece o encontro dos ícaros (pessoas fiéis à sua memória afetiva e com o sonho de liberdade vivo na alma, a despeito de idade, sexo, raça ou religião) em um mundo particularmente deles. A ideia desta troca de mensagens entre o cantor e seus fãs e também entre estes, sucesso neste Portal, tem sido copiado em páginas de outros nomes e isso é bom porque ajuda a romper o mito do artista intocável, como foram grandes nomes da música, a exemplo de Michael Jackson.

Assim, ponto para Byafra, ponto para os ícaros e seu mundo. Porém, tem uma espécie de ícaro, do sexo feminino, com representantes espalhadas pelo Brasil, que merece destaque: são muitos os nomes: Lígia, Fabíola, Ana Creta, Ana Angelica, Mary Miranda, enfim tantas que a letra de "Jardim" jamais poderia contemplar. No entanto, ainda entre elas, existe uma espécie de liga extraordinária que poderia atender pela alcunha de Meninas Super Poderosas, como é caso da Rô, de Congonhas, Minas Gerais, de Sônia Fukuda, a presidenta do Fã Clube Oficial, uma batalhadora do interior de São Paulo (Registro, cidade que já registrou um das recepções mais maravilhosas que Byafra já teve em sua carreira) e a incansável carioca Katia Jardim, responsável pelos achados mais interessantes sobre a carreira do cantor e uma das sonhadoras mais presentes nos últimos tempos nesta Terra dos Ícaros. Como editor, resolvi escrever este artigo não apenas para lembrar o que todos já sabem, mas para dizer obrigado a todos que estão construindo pouco a pouco o verdadeiro mundo dos ícaros.
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Uma recente discussão - levemente acolorada nos bastidores do Fã-Clube - me fez pensar sobre o que efetivamente significa ser um ícaro, digo, sonhador, idealista. Não somos uma legião de soldados armados de panfletos, faixas, comiciando feito loucos Brasil afora e adentro. Não criamos piquetes, não tomamos terras nem tetos, não ocupamos calçadas e avenidas, nem causamos transtornos no trânsito das grandes cidades. Somos inoperantes, então? Não, absolutamente não. É certo que grandes sonhos foram e são construídos com lutas, guerras inclusive. Mas não é o nosso caso. Nossa causa é nobre, entretanto, porque anseia pelo direito de ouvir o que se quer, de ver o que se deseja e de dividir e divulgar este estilo de vida para outras pessoas. E tudo isso sem viver do passado porque, descontado algum saudosismo (que, na medida, é importante na vida de todos), baseamos nossa filosofia no presente mesmo, dado que buscamos estender o modo de pensar e o comportamento da atualidade e, só levando em conta isso, procuramos adequar nosso peculiar modo de pensar e agir ao mundo.
Muitas pessoas que gostam de música se perguntam porque hoje no Brasil há uma estiagem de bons discos e uma (aparente) falta de criatividade, especialmente na categoria música popular. É do conhecimento dos amantes da música que o mercado fonográfico brasileiro não tem mais o mesmo vigor dos anos 70 e 80. Não temos mais o patrocínio das grandes multinacionais da fonografia - fato que afetou seriamente a produção e a distribuição - e, com o advento da mídia CD, sofremos um golpe de um monstro tenebroso: a pirataria.
Byafra faz parte deste contingente de artistas, por isso tem cuidado tão minuciosamente de um novo lançamento. A se julgar pelo último registro ("Segundas Intenções", 2002), podemos compreender porque o cantor tem esperado o melhor momento para lançar seu próximo trabalho. Reunir gente qualificada para um projeto artístico é uma tarefa demorada e delicada. Mas assim são feitos os sonhos.
Regularmente nos perguntamos se sonhamos com a mesma intensidade com que vivemos. Sim. Embora sufocados pela rotina de trabalho e afazeres domésticos, ainda continuamos a cultivar nossos sonhos porque ser ícaro é pensar no vôo eterno para a felicidade, para a vida melhor, para a paz, para a conquista da dignidade para todos. Nossos corpos - frágeis elementos de nossa presença na vida - arqueam com a rotina, mas a mente, senão alma, fluído eterno, permance atenta e vivaz e é no interior desta que construímos nossos sonhos, sem dúvida. Além do mais, os sonhos são pequenas gotas caindo numa imensa cratera seca: é necessário tempo para aguá-la por inteiro. Nossa missão é não deixar de sonhar a despeito de toda desordem e dificuldades que a vida nos impõe. Byafra marcha, também como nós, em busca deste sonho sem fim e acreditamos que, assim como ele, não vamos fugir para ser feliz nem mudar do nosso país, mesmo que o sol derreta a cera de nossas asas até o fim. Nos restarão a mente e o poder irrefutável desta de construir sonhos e alicerçar ideais de bem e de ordem, matérias indispensáveis para a construção real das coisas que contam na vida: respeito e dignidade.
Na vida moderna, baseado nas lendas da vida arcaica, acreditamos que a vitória consiste num golpe certeiro do mocinho herói no embate final de uma luta fantástica. A mídia inclusive reforça esta idéia superficial e simplista de um vencedor, quando o triunfo verdadeiro é aquele que promove mudanças reais, como a empreendida por Jesus Cristo na luta contra a prepotência dos poderosos e o monstro da morte. Resolvi usar estas imagens para introduzir um assunto mais real e que repercutiu em alguns de nós: porque Byafra não venceu o Rei Majestade. Recebi diversos e-mails lamentando o ocorrido e, de certa forma, depreciando os finalistas e até o Programa. Não vejo porque devemos pensar assim.
Sonhadores não rezam por esta cartilha. Vemos e optamos pelo mais importante: a qualidade. Nesta questão em particular, Byafra foi um grande vencedor. Levantou a bandeira do romantismo, foi fiel ao seu estilo, trabalhou de forma séria e, com afinco e respeito ao público, interpretou as músicas de outros artistas com zelo igual com que fez e faz com as suas próprias canções. Além do mais, patrocinou a alegria de seus fãs e de outros espectadores que o aplaudiram de pé e torceram de verdade pela sua vitória - neste caso, aquela traduzida em números e posições. Nos dias de hoje, os verdadeiros heróis são os que resistem com bravura a invasão do imediatismo e do economicismo vulgar e, com amor e dedicação, continuam seu trabalho, tecendo sonhos e acalentando dia após dia seus ideais verdadeiros. Vencedores assim não dão um golpe final porque a batalha da vida se renova sempre e o sonho - arma infalível deste herói - não tem fim.