Mensagem de Natal de 2014

A Trégua de Natal

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Há cem anos atrás…
A trégua de natal, dezembro de 1914.
O soldado raso Graham Willians, da brigada dos fuzileiros de Londres,descreve o início da trégua informal no setor da frente junto ao Ploegsteer, Bélgica, na noite de 24 de Dezembro de 1914.
-De repente, luzes começaram a aparecer ao longo da balaustrada alemã, estava claro que eram árvores de natal improvisadas, adornadas com velas acesas, que ardiam constantes no ar silencioso e gélido.
Outras sentinelas tinham, é claro, visto a mesma coisa, e rapidamente acordaram as que estavam de guarda, adormecidas nos abrigos.
Então nossos oponentes começaram a cantar “ stille Nacht, heilige nacht” (Noite Feliz). Eles terminaram sua cantiga e achamos que devíamos responder de alguma maneira, por isso cantamos “ The first Nowell” (O primeiro natal), e assim que terminamos todos eles começaram a aplaudir; e então eles iniciaram outra de suas favoritas. “O Tannenbaum”.
E assim foi. Primeiro os alemães cantavam um de seus hinos de natal e depois nós cantávamos um dos nossos, até que começamos a entoar “O come all ye faithfull” (Oh venham todos os fiéis) e os alemães imediatamente se juntaram a nós, cantando o mesmo hino, mas com a letra em latim “ Adeste Fidelis”. E eu pensei: isto é mesmo uma coisa extraordinária – duas nações cantando o mesmo hino no meio de uma guerra.
O soldado raso François Guilhem, do regimento de infantaria, parte do exército francês em Flandres, descreve a troca de cânticos de Natal:
-Jamais vou me esquecer dessa noite de natal: sob o luar claro como o dia, e com a neve tão dura que dava até para quebrar pedras, estávamos subindo por volta de dez da noite, carregando lenha para as trincheiras.
Vocês podem imaginar nosso espanto quando ouvimos os chucrutes cantando hinos em suas trincheiras e os franceses nas deles; então os franceses responderam com o “ chant du départ” (canção da partida). Toda essa cantoria por parte de milhares de homens no meio de uma zona rural foi verdadeiramente mágica.
Paradoxalmente, em meio ao derramamento de sangue sem precedentes de uma guerra cada vez mais cruel, toda vez que as linhas se estabilizavam, soldados comuns logo adotavam com relação aos seus oponentes algumas demonstrações informais de cortesia do tipo “viva e deixe viver”.
Durante uma pausa na luta, homens entediados começavam a conversar aos berros ou a participar de competições de cantoria com seus inimigos do outro lado da “terra de ninguém”, em alguns casos se aventurando até as trincheiras alheias para fraternizar ou permutar álcool e tabaco.
Na frente ocidental, uma série de episódios do tipo culminou na ‘trégua de natal”. De 24 a 25 de dezembro de 1914, em Flandres, envolvendo aproximadamente dois terços da linha mantida pela Força Expedicionária Britânica, parte da linha de frente francesa e parte do exército Alemão.
O espetáculo de fraternidade perturbou tanto os oficiais comandantes de ambos os lados que, nos anos seguintes, os bombardeios de artilharia foram intensificados na véspera de natal a fim de evitar a repetição da “trégua de natal”.

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